terça-feira, 26 de agosto de 2008

Soneto de Volta a Poesia

(á uma Mulher de 40 definições infinitas)
Devolveste ao coração uma emoção partida
Deste mesmo sem saber novo vapor a emoção,
Criaste em mim nova canção
E a inspiração... devolveste a vida

Agora flor, toda minha gratidão é curta
Frente aos tantos abraços, beijos, carinhos e afeto
O que há de triste em mim, és tu quem furta
Ao aquecer a alma de um poeta quieto

Transbordo, e assim muitas palavras caem-me da mão
As que pego são poucas frente ao que há
E agora há tudo, exceto a ausência

E aborto assim uma triste e falida missão
E a quero longe, pois aqui esta me é má
Pois guardo-te dentro, precoce amiga, em permanência

André Martins

Rio de Janeiro 24/08/2008

(Salve a arte de viver que tão bem traduz Roberta...
Beta flor de Luz)

sábado, 31 de maio de 2008

À Presente

Mulher que transborda liberdade
Que mais parece um passaro em verdade
Me preenche o teu cantar
Quando sutilmente ao encantar
Enche de bela clareza, o meu pensar e sentir
E os esquecidos escuros cantos
Onde se escondiam meus internos prantos
Responda-me, como respondes questionamentos tantos
Com mais questionamentos porém...?
Como a cada segundo se faz ineditamente tão linda?
Por que só brota em mim o sem fim, o mais ainda?
Tantas perguntas que não se calam
E que extinguiram certezas bobas, que silenciaram...
Como te guardo tão grande dentro de mim
Em trocentos tempos de solidão despercebida?
O que faço eu com relógios que mal funcionam depois de tua ida?
Meu Deus que tanto alarde a todo instante
Nessa minha necessidade, de ser mais e mais amante
Depois de tua alma, se apagou o meu breu, pássaro cantante
Das minhas fomes melódicas
Como expulsaste os cotidianos e fúteis raciocínios
E o tolo fascínio da inúteis e mensuráveis lógicas?
Como és a poesia que o silêncio não traduz?
Como às retinas és o emplasto para os dias cinzas
Colores o transparente e o invisível, como?
Como brincas de fazer do sério o risível?
Transformas o ontem em boa lembrança
E o amanhã numa constante sonhada esperança, responda!?
Diga-me como se faz do hoje
Um momentaneamente paradoxal presente eterno?
Ah esses teus presentes Mulher, Tua vida na minha vida
Este ter-te em permanência, mesmo ausente
Tuas curiosas existências em mim são terra, água e ar
Servem de vidas para tantos dilemas
Mas nada disso se reponde, se é útil de repente
Se não tenho-te oh gloriosa e encantante semente
Que da fruto enquanto planta
Liberdade enquanto pássaro que canta
A esses meus, nossos, tão teus poemas.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Soneto do Primaveril

Deixaste a boca aqui, em alarde
Com beijos a dar, inutilmente guardados
Para um depois que já se fez tão tarde
Que os tristes lábios, já estão fechados

Fizeste do vício ao doce, uma amargura
Quando partiu sem mim em tua viagem
De uma imponente alma, forte em ternura
Um corpo de metade, isento de coragem

Foste antes de minha hora mulher
Por opção única, do tempo
Sei que culpa não tivera

E assim... voltarás, num surpreendente instante
Encontrará no inverno, um homem de primavera
Por não mais viver aqui teu veraneio amante

terça-feira, 20 de maio de 2008

Soneto à minha Artista

Pensando sons, compuseram-te linda
Feita com notas de valor imensurável
Uma agradável musicada, de melodia sutilmente amável
Mas tal labuta árdua era pouco ainda

Pintaram-te em pele, fraffit e tela
E mesmo em bronze ou sabão, como escultura
Na busca de homenagear tua rara estrutura
Só conseguiram em parte, reproduzir-te naturalmente bela

És incopiável mulher, e são tantos tentativos
Que te querem numa só... és mista
Composta de compostos complexos, simples e ativos

Que tornam-te interessante, mesmo a milionésima vista
Que fazem do poeta amante por eternos motivos
Pois bem maior que a arte, é meu insapirar, és minha artista

sábado, 17 de maio de 2008

Soneto da Feitiçeira

Ah feiticeira, de fictícios delírios
É quase má tua boa fé, grande pecado
Quão grande me tornou ousado
Que de olhos fechados, brinco em precipícios

E agora o inútil medo de sofrer morreu
E padeceu também a lógica, o pensar
Com o vício de deixar-me enfeitiçar
Pelo encanto do teu beijo que é tão meu

Ah alucinógeno, vestido de prazer e gosto
Reduto de vontades que alucina
É enorme o querer-te a cada instante

Ah viciante mulher que é da tristeza o oposto
Sou bruto e inconsciente, enquanto és tão menina
Que mesmo de equilíbrio ausente, melhor estou que antes

terça-feira, 13 de maio de 2008

Com Urgencia aos olhos teus, pela permanencia no teu coração!

Amigos, leitores meus que compatilham com o poeta, a constante vivência do que é sentir o sentimento arder mais que fogo à alma, e imobilizar muito mais que um gelo o corpo frente a pele em que "me derreto", segue um fragmento de um soneto do homem que transpareceu o mais lindo sentimento aos olhos do que lhes escreve, sabia pouco ele sobre mim, mas sabia mesmo assim que sentimento tamanho, ou maior que o prórpio que o fazia viver a procurar, e que sem querer terminei antes mesmo do fim por achar, e enfim... de forma "reservada" e resumida, quero que saiba Flor, Minha Laranja Flor de tons azuis precoces e lindos, desejo que saiba o quanto te quero e o quanto me desespero ao esperar teus abraços, carinhos, para me mostrar os caminhos de idas sem voltas em nossas viagens paradas em que minha alma de imopbilidade se solta, saiba Mulher, hoje é triste a lágrima que corre em tua face, mas tua tristeza, para mim, é coisa que se acabe, e que se mate de solidão, pois neste momento enfim te acompanhará a boa comapnhia de meu poeta coração, saiba mulher, quanto prazer aqui transbordo eu, enquanto tu Euridice e eu Orfeu, enquanto Julieta e eu Romeu, eu o saber Você Minerva, eu como Adão você de Eva, arroz feijão, o chá e a erva, Lisbela Prisioneiro, casais, comparsas, unidos todos de qualquer forma do mundo inteiro, seremos agora tu e eu sinônimos de felicidade!
E acaba de cair das pontas dos teus cilhos a última gota de amargura, e agora tua vida, a minha, a nossa será feita de abraços, de sorrisos e doçura!

"Distante a minha paixão, se me afigura
O sabor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento

Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrando uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento"

Vinicius de Moraes

sábado, 10 de maio de 2008

Doloroso Sonho

O Corpo dorme pós um dia a menos
E se despede da matéria dura
Me transportaram pra outra criatura
Pra um sonho doido onde juntos nos vemos

E vem vestida de nuvens e cabelos
E só com pensamentos, sem dizer nada
Promete realizar como uma fada
Meus mais surreais apelos

Triste então, retomo a consciência
Tais promessas nunca ouvi em verdade
Sabido então, das não realidades
Perdido estava naquela curta existência

Não tendo mais um sonho a perder
Me arrisco, tolo numa atitude fugaz
Dou passo a frente, quero sentir-te mais
Olhar-te os olhos, e me comprometer

Estou disposto a tocar tua pele
E me perder numa ilusão maior
Que é bem cheirosa, macia e gostosa
E que as minhas dores, agora já fere

Mas ao chegar pertinho da tua boca,
Fácil pressuponho...
Que já estou prestes a acordar de ti
Não pelo sol que vem raiando ali
Mas por estar eu, no melhor do sonho