sábado, 31 de maio de 2008

À Presente

Mulher que transborda liberdade
Que mais parece um passaro em verdade
Me preenche o teu cantar
Quando sutilmente ao encantar
Enche de bela clareza, o meu pensar e sentir
E os esquecidos escuros cantos
Onde se escondiam meus internos prantos
Responda-me, como respondes questionamentos tantos
Com mais questionamentos porém...?
Como a cada segundo se faz ineditamente tão linda?
Por que só brota em mim o sem fim, o mais ainda?
Tantas perguntas que não se calam
E que extinguiram certezas bobas, que silenciaram...
Como te guardo tão grande dentro de mim
Em trocentos tempos de solidão despercebida?
O que faço eu com relógios que mal funcionam depois de tua ida?
Meu Deus que tanto alarde a todo instante
Nessa minha necessidade, de ser mais e mais amante
Depois de tua alma, se apagou o meu breu, pássaro cantante
Das minhas fomes melódicas
Como expulsaste os cotidianos e fúteis raciocínios
E o tolo fascínio da inúteis e mensuráveis lógicas?
Como és a poesia que o silêncio não traduz?
Como às retinas és o emplasto para os dias cinzas
Colores o transparente e o invisível, como?
Como brincas de fazer do sério o risível?
Transformas o ontem em boa lembrança
E o amanhã numa constante sonhada esperança, responda!?
Diga-me como se faz do hoje
Um momentaneamente paradoxal presente eterno?
Ah esses teus presentes Mulher, Tua vida na minha vida
Este ter-te em permanência, mesmo ausente
Tuas curiosas existências em mim são terra, água e ar
Servem de vidas para tantos dilemas
Mas nada disso se reponde, se é útil de repente
Se não tenho-te oh gloriosa e encantante semente
Que da fruto enquanto planta
Liberdade enquanto pássaro que canta
A esses meus, nossos, tão teus poemas.

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